quarta-feira, 14 de novembro de 2012

O tempo nem sempre cura tudo

     Dias se passam e nada me fez tirar o grande vazio dentro de mim. Perder tudo ou perder não perder nada, palavras que já não fazem diferença. Talvez minha escolha não tenha sido a melhor para nós dois, mas era a mais sensata naquele momento.
   O ferimento deixado por você começa a se cicatrizar lentamente.  Muitos altos e baixos vieram e meus sentimentos continuaram puros.  Queria estar perto mas, tinha medo que me afastasse pra longe. Não queria que seu olhar frio se transformasse em palavras e estas me atingissem.
    Até que meu coração encontrou alguém para cuidar dele. Alguém que lhe desse amor e carinho. Talvez não fosse ele o homem certo. Mas ele me amava e isso já era o suficiente. Com ele tudo ficava menor. A dor, a tristeza, as lagrimas. Tudo perante seu sorriso diminuía.
    Mas então você volta, pedindo desculpas e dizendo que se arrepende. Dizendo que me ama. E meu coração se aperta novamente. 


segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Arrependimentos?



    


        Sempre pensei que tudo no mundo fosse eterno, assim como as flores murchas podem deixar seus grãos de pólen no ar para que estes possam dar origem a novas flores e assim por diante. Mas por algum motivo, essa imagem do “eterno” começou a se desfazer dentro de mim.
      Queria poder voltar ao passado e reviver todos os momentos felizes que passei com as pessoas que amava só pra diminuir o arrependimento que sinto hoje, por não ter vivido mais momentos como aqueles. Queria poder concertar minha vida a partir do momento em que ela começou desandar.
     Eu queria ter acertado mais, ou até ter errado mais. Só pra saber que curso minha vida tomaria se eu tivesse feito alguma escolha diferente. Eu queria ter dito aos meus amigos que os amava antes de ver um por um se separando e indo para longe.
     Da mesma forma que eu queria ter sorrido mais eu queria ter chorado mais. Queria que nos momentos de tristeza e agonia houvesse alguém aqui comigo para afagar minha cabeça e dizer para chorar o quanto quiser, mas que não sairia do meu lado até que eu me sentisse melhor.
    Queria poder entender por que não consigo mais conversar com minha melhor amiga nos tempos de infância. Não da mesma forma. Queria entender se é certo as pessoas mudarem tanto e outras permanecerem as mesmas por tantos anos, e saber por que as novas amizades acabam enfraquecendo as antigas.
     As pessoas não ficam juntas o tempo todo, pois este é tempo demais. Nem tudo acontece da forma que se espera, apenas aprenda a seguir o curso das coisas. O que tiver que acontecer acontecerá e ponto. Só por que algo desapareceu não quer dizer que você vá parar de viver. Apenas aprenda: nada é pra sempre, o pra sempre sempre se vai. 



quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Ardente Dor

                           
               Chovia, uma garota observava sua cidade sucumbir as chamas. Esta, parada em cima de um morro, se encontrava totalmente encharcada. Seu longo vestido branco, estava rasgado, permitindo que as gotas frias da chuva encostassem em sua pele pálida suja de carvão e terra.
                Seus cabelos eram em um tom de vermelho intenso  mais forte que qualquer outro tom de loiro avermelhado. Seus olhos transmitiam tamanha tristeza e dor que suas retinas antes cinzas agora estavam em um lilás broxo e obscuro. 
                 A doce princesa vê agora seu reino coberto pelo laranja intenso das chamas de um incêndio. 

segunda-feira, 9 de abril de 2012

Processo Criativo


      Tudo começa com uma simples vontade de se fazer um bom texto.  Sempre que essa inspiração vem o escritor dá pulos de alegria porque, vai poder escrever algo bem legal em relação a sua própria forma de pensar.  Mas, qual seria um assunto legal?
       Essa é a parte fácil. Pensei em vários temas para esta crônica.  Pensei em falar sobre algo polemico como a falta de gasolina em São Paulo (mesmo que tenha durado apenas quatro dias). Mas quando terminei, a redação não tinha rendido nem três linhas. Descartei esse texto para começar outro um pouco menos cansativo.  Então resolvi falar uma pouco sobre a instituição de ensino que eu frequentava. Mas eu ia falar sobre o quê? Das broncas que levei dos professores por não fazer as atividades? Não deu certo.
    Então eu percebi que não ia conseguir escrever uma crônica dessa maneira. Em primeiro lugar, uma crônica não nasce de um tema, o tema nasce de uma crônica. Mesmo querendo que ela seja gostosa de ler, ela precisa ser gostosa de escrever.  Ela deve ser feita sem nenhum compromisso, falar de nada e ao mesmo tempo expor tudo.  Claro que existem muitas boas cônicas em relação à desigualdade social, a camada de ozônio, o fim em 2012 entre outras coisas, mas elas não começaram já com a ideia de virarem algum tipo de texto, eram apenas opiniões em relação a algum assunto.
     Sem perceber, eu já tinha terminado meu texto. Uma crônica sobre uma crônica. A cabeça humana é muito difícil de entender mesmo.

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Apenas arriscando minha vida serei sua.


           Um garoto tinha acabado de se formar na faculdade de medicina. Este garoto tinha o sonho de se tornar o melhor médico de sua área. No final, ele se tornou um renomado cardiologista.
            Ele tinha uma namorada muito linda. Não tão linda quanto uma modelo, mas era gentil e meiga. Depois de alguns anos, eles resolveram se casar. Não foi uma cerimonia muito extravagante, mas era o suficiente para marcar a passagem da vida dos dois. Eles compraram uma casa em um bairro prospero e amigável. Lá viveram muito felizes por anos. Até aquele dia...
            Cardiomiopatia. A namorada dele tinha uma bomba dentro dela. Um dia, ela teve uma parada cardíaca, mas graças à operação, ela sobreviveu. Ela tinha 50% de chance de viver mais cinco anos uma chance em duas de morrer.
            Sendo ele o médico dela, conseguiu manter os sintomas dela sobe controle, mas não havia chance de uma recuperação total. Ela se apegou a vida que tinha, mas ela não duraria muito.
            Ele não sabia se tinha talento ou sorte, mas ele mesmo se prometeu um futuro de sucesso e progresso. Mesmo ele sendo um médico de elite, ela era responsabilidade demais para ele.
            Ele teve que escolher entre seu futuro e o tempo junto a ela. Mas mesmo ele escolhendo a garota, ela não viveria muito. Talvez fosse assim para ele, mas, não pra ela. Ela é feliz ao lado dele, ela ri quando está com ele, mesmo sabendo que é por pouco tempo. Mesmo fazendo ou não a cirurgia, ela sabe que um dia morrerá. Mas ela prefere poder rir agora a nunca ter conseguido sorrir.
            Ela fez a cirurgia. Foi algo muito difícil para nosso médico realizar. Era como costurar em um papel de arroz. A cirurgia foi um sucesso. Ela poderia viver mais cinco anos ao lado do homem que amava.
Para uma mulher, não importa se é por pouco tempo...(não, ele é importante por que é por pouco tempo) se ela puder ser feliz de verdade ou pelo menos ter um momento assim, ela poderá aceita-lo.  “É apenas arriscando minha vida que poderei ser sua”.

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Inocência azul


Uma renomada artista se encontra dentro de um dilema. Com seu esforço ela conseguiu chegar longe, seguiu seu sonho de se tornar um gênio da arte. Venceu todos os obstáculos por este sonho. E agora no auge de sua carreira ela percebe eu algo lhe falta. Tudo que fizera para chegar onde está agora... Isso por si só jamais satisfaria uma artista. Só as melhores telas poderiam mostrar a imagem alimentada dentro de sua mente.
            Nenhum de seus admiradores sabia, mas ela jamais pintou o que lhe agradara. Ela desenvolveu sua arte não baseada no que ela gostaria de pintar, mas sim naquilo que os outros veriam. Paisagens, figuras humanas, figuras abstratas nada disso que ela pintava lhe fazia se sentir uma verdadeira artista. Ela já não sabia mais o que fazer. Sua carreira despencou, nem mesmo suas “falsas” pinturas faziam mais sucesso. A pintora entra em depressão profunda.
            Uma noite chuvosa, ela corria para se abrigar debaixo de uma arvore ela vê uma garota olhando para o céu escuro da noite enquanto as gotículas de agua cobriam seu rosto delicado. Chamando para se abrigar na arvore junto a ela, nossa pequena pintora descobre que a menina na verdade sofria de uma grave doença que a impedia de sair à luz do sol.
            Ela nunca tinha dado valor ao céu até ser incapaz de vê-lo. Este está sempre em constante mudança. Suas nuvens são suas feições. Mostram quando este está feliz assim como em um dia ensolarado ou está triste como em um dia de chuva. Por causa de sua beleza, a menina costumava fotografar o céu, seja chuvoso, ensolarado, nublado, nascer, ou pôr-do-sol. Ela daria tudo que tem para poder ver o céu novamente. Sentir os quentes raios do sol em sua pele.
Ouvindo a história da jovem menina, a pequena pintora percebeu que a beleza das pequenas coisas, não são admiradas até que as perdemos. Um ato tão simples como olhar para o céu fazia tanta falta para aquela menina.
            Ela não podia curar a doença que a menina tinha, mas podia usar seus talentos para mostrar um céu novamente para a jovem. Então a pequena pintora passou a pintar o céu. Não só um céu, mas também suas variações, ensolarado, chuvoso, nublado, nascer e entardecer. Todos os dias. Logo ela descobre que esta também é sua paixão.
            Pintando o céu ela conseguia mostrar seu verdadeiro talento em uma simples tela, porque apenas um verdadeiro artista consegue retratar algo tão simples de diversas formas fazendo com aqueles que o admirem também percebem suas variações através de delicadas pinceladas.
            A pintora se redescobre. Voltando aos tempos em que pintava apenas para ver o sorriso das pessoas que viam suas pinturas. Ela finalmente pode sentir o que era realmente ser uma artista.

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Crisálida

Está é a história de um poeta e uma cantora que tinham um problema. O problema da cantora... Não poderia ser resolvido por dez mil elogios ou dez mil aplausos. Só um poeta entenderia... Que ela desejava se esforçar até chegar aos seus próprios limites. Ele entende porque ele também era um criador, e muitas vezes ele encontrou esses limites. Assim o poeta começou a cantar... Para a cantora. Era uma canção da crisálida. Essa crisálida era  mais bela que quaisquer pedras preciosas no mundo. Foi louvada por todos que a viram. Mas oculta em seu interior havia uma verdade ainda mais bela. Dentro de ti há asas adormecidas.
Uma explosão de raios percorria o corpo da cantora. Você ficará para sempre nessa apertada casca dura? É o que realmente deseja? Não é. A canção do poeta era como um fio de aranha, capturando o duro coração da pequena cantora. E o envolvendo apropriadamente.
O poeta continua a cantar. Cantando para que ela visse a verdade dentro do seu coração. A canção virou uma mandíbula afiada, colocando suas prezas contra a concha em torno dela. É desnecessário que se escondas.
Com as mãos trêmulas, a cantora se desfaz de sua concha, como se fosse um estranho encanto. Ela não via mais o poeta diante dela.  Um olhar reconfortante, um hálito quente como o fogo... Sua existência se converteu em uma canção. Sua pele clara que cativou milhares foi exposta a luz vacilante.
Que bela... És muito bela... As palavras do poeta são um doce veneno que se dissolvem em seu coração. E lá estava um céu azul.
A cantora renasceu. Livrou-se de seu falso casulo para se tornar uma borboleta livre e voar, para longe para um distante céu azul. Em sua verdadeira forma, como realmente é. Voe! Voe para um novo mundo! VOE!
Não foi a dor nem o medo, tampouco arrependimento. Foi um regozijo que ela jamais conheceu. Uma sensação avassaladora de libertação. A cantora morreu. E a verdadeira cantora renasceu das cinzas.