Está é a história de um poeta e uma cantora que tinham um problema. O problema da cantora... Não poderia ser resolvido por dez mil elogios ou dez mil aplausos. Só um poeta entenderia... Que ela desejava se esforçar até chegar aos seus próprios limites. Ele entende porque ele também era um criador, e muitas vezes ele encontrou esses limites. Assim o poeta começou a cantar... Para a cantora. Era uma canção da crisálida. Essa crisálida era mais bela que quaisquer pedras preciosas no mundo. Foi louvada por todos que a viram. Mas oculta em seu interior havia uma verdade ainda mais bela. Dentro de ti há asas adormecidas.
Uma explosão de raios percorria o corpo da cantora. Você ficará para sempre nessa apertada casca dura? É o que realmente deseja? Não é. A canção do poeta era como um fio de aranha, capturando o duro coração da pequena cantora. E o envolvendo apropriadamente.
O poeta continua a cantar. Cantando para que ela visse a verdade dentro do seu coração. A canção virou uma mandíbula afiada, colocando suas prezas contra a concha em torno dela. É desnecessário que se escondas.
Com as mãos trêmulas, a cantora se desfaz de sua concha, como se fosse um estranho encanto. Ela não via mais o poeta diante dela. Um olhar reconfortante, um hálito quente como o fogo... Sua existência se converteu em uma canção. Sua pele clara que cativou milhares foi exposta a luz vacilante.
Que bela... És muito bela... As palavras do poeta são um doce veneno que se dissolvem em seu coração. E lá estava um céu azul.
A cantora renasceu. Livrou-se de seu falso casulo para se tornar uma borboleta livre e voar, para longe para um distante céu azul. Em sua verdadeira forma, como realmente é. Voe! Voe para um novo mundo! VOE!
Não foi a dor nem o medo, tampouco arrependimento. Foi um regozijo que ela jamais conheceu. Uma sensação avassaladora de libertação. A cantora morreu. E a verdadeira cantora renasceu das cinzas.

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