segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Inocência azul


Uma renomada artista se encontra dentro de um dilema. Com seu esforço ela conseguiu chegar longe, seguiu seu sonho de se tornar um gênio da arte. Venceu todos os obstáculos por este sonho. E agora no auge de sua carreira ela percebe eu algo lhe falta. Tudo que fizera para chegar onde está agora... Isso por si só jamais satisfaria uma artista. Só as melhores telas poderiam mostrar a imagem alimentada dentro de sua mente.
            Nenhum de seus admiradores sabia, mas ela jamais pintou o que lhe agradara. Ela desenvolveu sua arte não baseada no que ela gostaria de pintar, mas sim naquilo que os outros veriam. Paisagens, figuras humanas, figuras abstratas nada disso que ela pintava lhe fazia se sentir uma verdadeira artista. Ela já não sabia mais o que fazer. Sua carreira despencou, nem mesmo suas “falsas” pinturas faziam mais sucesso. A pintora entra em depressão profunda.
            Uma noite chuvosa, ela corria para se abrigar debaixo de uma arvore ela vê uma garota olhando para o céu escuro da noite enquanto as gotículas de agua cobriam seu rosto delicado. Chamando para se abrigar na arvore junto a ela, nossa pequena pintora descobre que a menina na verdade sofria de uma grave doença que a impedia de sair à luz do sol.
            Ela nunca tinha dado valor ao céu até ser incapaz de vê-lo. Este está sempre em constante mudança. Suas nuvens são suas feições. Mostram quando este está feliz assim como em um dia ensolarado ou está triste como em um dia de chuva. Por causa de sua beleza, a menina costumava fotografar o céu, seja chuvoso, ensolarado, nublado, nascer, ou pôr-do-sol. Ela daria tudo que tem para poder ver o céu novamente. Sentir os quentes raios do sol em sua pele.
Ouvindo a história da jovem menina, a pequena pintora percebeu que a beleza das pequenas coisas, não são admiradas até que as perdemos. Um ato tão simples como olhar para o céu fazia tanta falta para aquela menina.
            Ela não podia curar a doença que a menina tinha, mas podia usar seus talentos para mostrar um céu novamente para a jovem. Então a pequena pintora passou a pintar o céu. Não só um céu, mas também suas variações, ensolarado, chuvoso, nublado, nascer e entardecer. Todos os dias. Logo ela descobre que esta também é sua paixão.
            Pintando o céu ela conseguia mostrar seu verdadeiro talento em uma simples tela, porque apenas um verdadeiro artista consegue retratar algo tão simples de diversas formas fazendo com aqueles que o admirem também percebem suas variações através de delicadas pinceladas.
            A pintora se redescobre. Voltando aos tempos em que pintava apenas para ver o sorriso das pessoas que viam suas pinturas. Ela finalmente pode sentir o que era realmente ser uma artista.

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Crisálida

Está é a história de um poeta e uma cantora que tinham um problema. O problema da cantora... Não poderia ser resolvido por dez mil elogios ou dez mil aplausos. Só um poeta entenderia... Que ela desejava se esforçar até chegar aos seus próprios limites. Ele entende porque ele também era um criador, e muitas vezes ele encontrou esses limites. Assim o poeta começou a cantar... Para a cantora. Era uma canção da crisálida. Essa crisálida era  mais bela que quaisquer pedras preciosas no mundo. Foi louvada por todos que a viram. Mas oculta em seu interior havia uma verdade ainda mais bela. Dentro de ti há asas adormecidas.
Uma explosão de raios percorria o corpo da cantora. Você ficará para sempre nessa apertada casca dura? É o que realmente deseja? Não é. A canção do poeta era como um fio de aranha, capturando o duro coração da pequena cantora. E o envolvendo apropriadamente.
O poeta continua a cantar. Cantando para que ela visse a verdade dentro do seu coração. A canção virou uma mandíbula afiada, colocando suas prezas contra a concha em torno dela. É desnecessário que se escondas.
Com as mãos trêmulas, a cantora se desfaz de sua concha, como se fosse um estranho encanto. Ela não via mais o poeta diante dela.  Um olhar reconfortante, um hálito quente como o fogo... Sua existência se converteu em uma canção. Sua pele clara que cativou milhares foi exposta a luz vacilante.
Que bela... És muito bela... As palavras do poeta são um doce veneno que se dissolvem em seu coração. E lá estava um céu azul.
A cantora renasceu. Livrou-se de seu falso casulo para se tornar uma borboleta livre e voar, para longe para um distante céu azul. Em sua verdadeira forma, como realmente é. Voe! Voe para um novo mundo! VOE!
Não foi a dor nem o medo, tampouco arrependimento. Foi um regozijo que ela jamais conheceu. Uma sensação avassaladora de libertação. A cantora morreu. E a verdadeira cantora renasceu das cinzas.